Acredite: sou mãe! 

1

Confesso, sob pena de ser mal interpretada por alguns, que minha visão de maternidade é diferenciada. Tornei-me mãe ainda muito jovem. Por isso, meus dois filhos, agora adolescentes, são, constantemente, confundidos com meus irmãos. O último a se surpreender, ao ouvir o mais velho me chamar de mãe, foi o gerente de uma loja de calçados. Já habituada a essas reações, o que me incomodou (no sentido jornalístico) recentemente, foi algo que está para além da minha aparência. E aí eu recorro à frase que ouço desde que me entendo por gente: “As aparências enganam.”.

Ultimamente tenho ouvido com grande frequência a frase “Você não parece ser mãe!”, dita por quem acabou de me conhecer e descobriu que tenho filhos, e até por quem já me conhece. Essa situação vem me intrigando… Eu falava acerca disso com uma amiga, quando ela disparou: “Você não parece mesmo, ué!”. Foi a gota! Eu quis que ela me explicasse como é uma cara de mãe. Quis saber se há um jeito padrão, porque eu, sinceramente, nunca havia pensado nisso. Ela, sem a menor cerimônia,   respondeu que sou muito jovial. Ué!  Mãe tem que ser sisuda? Não vejo a responsabilidade por outras vidas, com tudo o que ela significa, como um fardo que precisa ser explicitado todo o tempo. Criar filhos não é tarefa fácil, porém não é um peso.

Não satisfeita, e já detestando a imagem carrancuda que não saía da minha mente, dei início a uma espécie de pesquisa sobre “como é a cara de uma mãe”, para saber, afinal, porque não a possuo. Descobri que o fato de eu não colocar meus filhos como tema dominante em meus diálogos, provoca nas pessoas (principalmente nas que acabei de conhecer), a impressão de que a maternidade é coisa muito distante para mim. Daí a perplexidade delas quando eu digo que sou mãe. É que eu sou muito interessada em política, música, livros, viagens, história de gente e vários outros assuntos. Há, portanto, grande diversidade em meu repertório e, meus filhos, apesar de extremamente amados por mim (e quem é mãe sabe do amor imenso do qual estou falando), realmente não poderiam predominar em minhas conversas. E quem sai falando de família para alguém que mal conhece?

Sou muito mãe! Presente, conselheira, amorosa e, ao mesmo tempo, firme. Às vezes, considerada rígida pelos meninos e superprotetora pelos parentes. Assumo que, de tão cuidadosa, chego a pecar por excesso. Também sou coruja. Se eles não tivessem aversão à fotografia e exposição, minhas redes sociais teriam muito mais registros dos nossos programas e das nossas palhaçadas. Acompanho a vida escolar, controlo horários e estou sempre atenta quanto às suas companhias e aos lugares que frequentam. Como toda boa mãe e todo bom pai devem ser. E já que mencionei paternidade, será que aos homens é cobrada uma cara de pai? Duvido.

Nossa sociedade, ainda tão machista, apesar das várias conquistas femininas e da luta diária que travamos para mudar essa realidade, impõe às mulheres condutas ultrapassadas e muita gente ainda está apegada àquela ideia de que mãe, para ser boa mãe, deve viver exclusivamente para os filhos. Há quem opte por isso e não há o menor problema, desde que seja realmente uma opção. Eu prefiro ser como sou e acredito que ter como mãe uma mulher independente e consciente que rótulos e padrões não lhe cabem, faz bem a eles. Todos que os conhecem, elogiam a educação que eles têm e eu fico orgulhosa. Pois é. Acho que apesar de não andar com a palavra mãe  escrita na testa, tenho conseguido, com muito esforço, desempenhar bem o papel.

 

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here