O Siga.News iniciou uma série de entrevistas sobre o tema voto obrigatório, ouvindo inicialmente a opinião dos vereadores, dependentes direto do voto popular para assumirem suas funções legislativas. Entre os já entrevistados, defesas apaixonadas, ora para manutenção do voto obrigatório, ora para extinção desta exigência.

O vereador Valdemir Dias, do Partido dos Trabalhadores, é favorável à manutenção do instituto atual, de voto obrigatório, mas admite a possibilidade de uma transição para o voto facultativo. Em curto prazo, em seu entendimento, seria um caos oferecer esta alternativa aos eleitores. Para ele, é preciso conservar o modelo atual e amadurecer o debate em torno do tema.

Leia abaixo o que pensa o vereador petista:

Siga.News: Vereador, tem um debate no Brasil, na sociedade, que agora alcançou o Congresso, que é a questão do voto obrigatório ou voto facultativo. Na sua opinião, qual é o melhor formato para o Brasil? O país está preparado para o voto facultativo? É melhor manter o voto obrigatório? Como você enxerga isso?

Valdemir Dias: No atual cenário que nós estamos vivendo, realmente, o voto facultativo ia ter uma fuga em massa em relação a ida às urnas. Um tanto de coisa, a judicialização da política, o judiciário com poder supremo e culpa das próprias instituições, da falência das instituições. Ainda há uma confusão muito grande nisso aí. Hoje, se o voto fosse facultativo, essas eleições agora de 2018, seria um fracasso. Eu acho que a gente precisa amadurecer mais essa discussão do voto. Em tese, eu peso mais com voto optativo, mas esse voto optativo se dá mais na questão de uma sociedade bastante madura, isso tem que ter um amadurecimento da sociedade, para ter essa questão da cidadania. O cidadão ainda acha que o não votar é o melhor. ‘Eu não vou votar porque só tem político ladrão na mesma vala’. O que não é verdade. Mal sabendo eles, que, caso eles votem ou não, vai ter o prefeito, vai ter o vereador… Então, em tese, teria que ser optativo, um direito e uma cidadania, afinal nós brigamos por isso. Muitos anos para ter o voto direto. E o brasileiro é engraçado, deveria ser optativo, nós brigamos por isso, o voto deveria ser livre, a pessoa devia dizer ‘eu quero votar e eu vou votar’, só que se você tiver essa faculdade, a democracia corre risco nessa estrutura que nós estamos hoje. Eu acho que a gente tem que amadurecer para que seja facultativo. Eu acho que a gente ainda tem que dar uma caminhadinha, dar uma melhorada nas estruturas que estão aí, na questão da nossa política, retornar à credibilidade da política brasileira, e eu acho que aí a gente caminha sim para um voto que a gente brigou, que a população brigou para ter o direito ao voto direto. O direito a escolher seu vereador, seu deputado federal e estadual, seu senador, seu presidente, seu prefeito, seu governador. Eu acho que o caminho é esse, agora está um pouco complicado, mas em tese, teria que ser, porque é um paradoxo.

Siga.News: De alguma forma, também é muito gritante esse pedido de intervenção militar no Brasil, por parte de quem não tem noção de política. A questão de a pessoa abrir mão do voto porque ela prefere que alguém tome conta.

Valdemir Dias: É preciso que alguém mande e tenha mão de ferro do Estado para impor. Aquele filho que tem que ter o pai e a mãe super presente que não pode ter ausência senão ele vai aprontar. É uma falta de noção. E a gente sabe o que nós passamos com a ditadura. Eu vejo um golpe militar, hoje, um pouco distante porque a própria falência dos militares, das forças armadas, exército, aeronáutica, golpe de estado não se dá assim. Nós vivemos em um país de dimensões continentais, um país que para ter um golpe teria que ter apoio das polícias, apoio do judiciário, teria que ter uma série de apoios, é o sistema. É também uma coisa que, poxa, a gente luta por um estado democrático de direito, lutamos por isso e agora nós queremos retrocesso, a mão firme, o não-direito ao contraditório. O cara olha para você e fala que você é isso ou aquilo, que não coaduna com os pensamentos e aí acontece o que aconteceu nesse país em tantas atrocidades que tem aí.

Siga.News: Caso o Congresso pelo voto facultativo, qual seria o efeito imediato, na sua visão?

Valdemir: Agora, como eu disse, 2018 iria ser um abandono total das urnas, mas eu acho que teria que ser um trabalho formiguinha de convencimento das pessoas de que a gente tem que exercer essa cidadania. O voto, você tem que exercer, ou se colocando à disposição ou votando, você tem que exercer essa cidadania. Porque afinal, o Congresso Nacional é uma amostra, ali a gente elege, outorga para que aqueles cidadãos, o Senado, o Executivo e o Legislativo para nos representar ali dentro e defender aos interesses da maioria. Nós sabemos que hoje, cada um defende ali seus grupos, o que acontece hoje é isso. Mas assim iria ser, agora em 2018, um verdadeiro caos. Poderíamos caminhar para talvez, possamos fazer uma discussão de transição, não sei.

Siga.News: Um movimento gradual, como foi feito em relação à reeleição.

Valdemir: A questão da reeleição é outra coisa, né, de discussão, eu tenho um pensamento eu acho que a pessoa não poderia criar uma carreira tão longa num único cargo. Eu penso assim, eu tenho um pensamento comigo que vereador, senador ou deputado teria que ter no máximo duas eleições depois ele poderia ser outra coisa, menos aquela que ele já foi. Ele poderia ser dois mandatos de vereador daí pronto, agora prefeito, ou deputado estadual, você pode ser dois. Tem gente com carreira de 30, 18 anos. A pessoa diz ‘estou há 30 anos como deputado’, a pessoa esquece até sua profissão de origem, um médico, um administrador, não volta mais. Um médico não volta, um advogado talvez não volte, porque as coisas mudam tanto.

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